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[DIA 50] - TEXTO ESCRITO EM 4/MAR/2022

O Feitiço do Tempo. ***** O luto anda batendo muito forte e me desestabilizando. Comecei a refletir ainda mais sobre seus processos. Essa mania de buscar o raciocínio lógico de tudo ainda vai me deixar louco. Especialmente porque nem tudo tem lógica, então muitas vezes a minha conclusão tem que ser “a lógica é que não existe lógica”. Aqui na minha casa somos em quatro sobreviventes e são quatro processos de luto diferentes. O meu está num extremo, o do enfrentamento aberto. Se fosse uma luta de boxe, eu ofereceria minha cara e diria: pode bater que você não vai me derrubar, eu aguento até você cansar. Bem Rocky Balboa mesmo. O luto da Alessandra seria uma daquelas lutas de MMA em que os caras ficam se agarrando no chão, um tentando quebrar o braço do outro, procurando brechas e se defendendo, tudo bem mais arrastado. As meninas são muito jovens, têm uma vida inteira pela frente, são monjas shaolin, movimentos leves, quase uma dança. A Tutu é mais agressiva e a Bibi é mais de boa na lag...

[DIA 49] - TEXTO ESCRITO EM 3/MAR/2022

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Como você explica? ***** Parte do texto de ontem foi para mostrar que eu sou normal… quero dizer… normal para um enlutado… quero dizer… escrevi aquele texto num estilo zoado porque a confusão generalizada é tudo verdade e é normal… quero dizer… não para as pessoas normais, é normal para quem está de luto… quero dizer… eu não sou a fortaleza que às vezes passo a impressão de ser… quero dizer… deixa pra lá. ***** Durante milênios medicina e religião foram uma coisa só. Na história da humanidade, apenas muito recentemente elas se separaram. Até uns 500 anos atrás, uma pandemia de covid seria considerada um castigo divino. Deus está castigando porque nós estamos em perdição e ponto final, assunto encerrado.  Esta é, até hoje, uma das funções imprescindíveis das religiões: manter a ordem. Mas a importância delas vai muito além. Um rápido exemplo: faz sei-lá-quantos-anos, numa época em que não se tinha noções de higiene, os porcos eram criados literalmente no meio do cocô. Alguém percebe...

[DIA 48] - TEXTO ESCRITO EM 2/MAR/2022

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Tem dia que não é dia. ***** Quarta-feira de Cinzas, mas o carnaval está rolando solto nas minhas sinapses. Zona geral. Não consigo me concentrar em nada. Leio sobre ucranianos lutando pela vida e lembro de tanta gente querendo mørr∑r. Acho que a distribuição populacional do mundo está errada, as pessoas certas estão nos lugares errados. Um exército de suicidas seria imbatível por não ter medo da mørt∑? Ou seria derrotado nos primeiros segundos, com todos se colocando na direção dos tiros? Olho o Facebook, curto alguns comentários, respondo mensagens no piloto automático. A procrastinação me dominou. Procrastinação… não sei por que esta palavra me lembra sacanagem… tentando ler um livro, mas paro a cada quatro páginas. Alessandra me chama, só que eu estou irritado sem motivo, dou uma resposta atravessada. Hoje de manhã cedinho chorei de saudade do Pietro enquanto fazia café. WhatsApp das escolas apitando e eu evito olhar, não estou com cabeça agora. E a conta do Nubank do Pietro? Carac...

[DIA 47] - TEXTO ESCRITO EM 1/MAR/2022

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Para nossos filhos. ***** Olá, crianças! Mesmo se forem crescidos, vou chamar vocês assim, ok? Pais e mães são Frankensteins. Bichos formados por pedaços de vários bichos. Umas partes são deles mesmos, outras são implantadas pela sabedoria dos seus avós (pais deles), várias só crescem quando vocês nascem, algumas são tiradas do convívio com irmãos, primos, colegas de trabalho, amigos… e tem aquelas que foram modificadas e moldadas pela vida. Ver vocês em estado de depre&&ão é o mesmo que sermos colocados num quarto escuro, sabendo que existe uma ameaça contra vocês, mas sem sabermos qual é nem onde está. Como não conseguimos enxergar, todas as partes frankensteinizadas se juntam numa só e nos transformamos em heróis da Marvel, Wolverines cheios de garras dispostos a defendê-los contra tudo e todos. Porém, não há nenhuma frestinha de luz neste quarto. As garras se movimentam movidas apenas pelo instinto, por sons aleatórios, pelo cheiro do perigo — e acabam, por vezes, sem quere...

[DIA 46] - TEXTO ESCRITO EM 28/FEV/2022

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Miscelânea. ***** O Depois da Borda é o relato de um pai que está na borda, no limite, na beira do precipício. Este blog deixará de fazer sentido se os textos se tornarem mais cerebrais do que emocionais. Encaro como um processo natural. Eu preciso deixar a vida me invadir e quanto mais vida entrar em mim, mais espaçados ficarão os sentimentos e os pensamentos disparados pelo luto — e que tanto se conectaram com o íntimo dos leitores. Aproxima-se o momento de eu me permitir ter uma Bolha de Felicidade. ***** Mensagem recebida hoje de uma leitora. Iluminou meu dia e me emocionou. Com autorização dela e, claro, sem identificá-la. ***** “Sergio, boa tarde.  Há dias me questiono se essa mensagem deveria ser enviada, ou se eu apenas poderia continuar lendo e internalizando todas as descobertas que tenho feito no Depois da Borda. Sinto receio de não saber como comunicar a você a profundidade com a qual as suas reflexões me tocaram – e parecer de certa forma insensível.  E o que mudo...

[DIA 45] - TEXTO ESCRITO EM 27/FEV/2022

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Oh céus! Oh vida! Oh azar! ***** As Bolhas de Função parecem ter entrado definitivamente nos meus dias, são cada vez mais frequentes e duradouras. Estão resistindo inclusive ao meu imã pessoal para atração de pepinos e outros vegetais descascáveis. Foi chegar na escola ontem e quinze minutos depois a aluna desmaia na cozinha, pouco antes da aula. E toca tentar falar com alguém, não conseguir, pegar o carro, levar a moça pra casa, voltar, demitir uma pessoa (a tarefa que eu mais odeio), conversar com a equipe para alinhar a saída desta pessoa, sair para comer alguma coisa, voltar, esperar a aula acabar e conversar com o Chef sobre uma ex-aluna dele que está nos causando problemas. Só abacaxi… ***** Dizem que a maneira mais simples de identificar uma pessoa chata é perguntar: como vai você? Se ela começar a responder como está de verdade… BLÉM! BLÉM! BLÉM! Toca a sirene de alerta: alto índice de chatice detectado! Brincadeiras à parte, existem inúmeras modalidades de chatos. Os inteligen...

[DIA 44] - TEXTO ESCRITO EM 26/FEV/2022

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The book is on the table. ***** Se eu perguntar para um milhão de pessoas: “você gostaria de FALAR inglês?” receberei a resposta SIM 999 mil vezes.  Se eu perguntar para um milhão de pessoas: “você gostaria de ESTUDAR inglês?” receberei a resposta NÃO 999 mil vezes. Lógico. A primeira pergunta só questiona o desejo, enquanto a segunda questiona o prazer, a necessidade, os benefícios, a dedicação. Não é à toa que existem tantos milagreiros no Facebook prometendo ensinar inglês em 90 dias. Quanto menor o esforço, mais atraente é a proposta.  Das mil pessoas que responderem SIM à segunda pergunta, pelo menos metade não vai estudar e a principal desculpa será a falta de tempo, mas eu vou falar a verdade verdadeira: bull shit. O motivo real é que é muito difícil fazer algo — qualquer coisa — que você não goste, precisa ter uma necessidade ou um benefício muito grandes. Eu trouxe este assunto especialmente para falar sobre depre&&ão. Já disse aqui em outro post que o oposto ...

[DIA 43] - TEXTO ESCRITO EM 25/FEV/2022

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Muito emocionado com esta mensagem (foto da tela do meu celular). Sem palavras. Só a sensação de recompensa. Obrigado por já ter valido a pena.

[DIA 42] - TEXTO ESCRITO EM 24/FEV/2022

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Bolhas. ***** O meu processo de retomada da vida está baseado na fragmentação do dia. Eu vou criando atividades que dificultem a interferência mental do Pietro. Resolvi chamar de BOLHAS dos 4F: FUGA, FOCO, FUNÇÃO e FELICIDADE. No início eram apenas BOLHAS DE FUGA: maratonar séries, assistir ao futebol, passear pelos portais de notícias e pelas redes sociais, todas coisas totalmente passivas. Escrever este blog era um esforço galático, só conseguia porque era — e ainda é — o meu jeito de fazer terapia. Quando não tinha saída, precisava dormir, mesmo que à base de remédios.  Depois vieram também as BOLHAS DE FOCO, que exigem um pouco mais de concentração: jogar sudoko, ler, revisar os meus livros escritos e nunca publicados. No caso da Alessandra eu diria que as primeiras bolhas desta fase foram cozinhar e voltar para a yoga.  Alessandra está ensaiando e eu já consegui entrar mais de cabeça na etapa das BOLHAS DE FUNÇÃO. Trabalho é a principal, mas você pode incluir tudo o que s...

[DIA 41] - TEXTO ESCRITO EM 23/FEV/2022

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Ivrhvdogdui, h ksjdvguidbh jdjsjhge. ***** Ontem, quando cheguei em casa, Alessandra estava participando de uma reunião on-line de um grupo de apoio. Eram mais de 70 pessoas. Fiquei ouvindo de longe os depoimentos. Às vezes parece uma competição para saber quem tem a história mais trágica. Mas há momentos em que as pessoas falam sobre a sobrevivência delas, isso ajuda muito a perceber que você não está louco e que suas reações são “normais”, comuns a quase todos que sofreram o mesmo trauma. Su!©!d!ø é uma decisão irracional. Toda vez que tentamos explicar racionalmente, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. Toda vez que tentamos demover uma pessoa dessa ideia, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. A mente do suicida não funciona como a nossa. Difícil entender? Sim! Tanto é que a ciência e a medicina ainda não conseguiram decifrar. Vamos pegar o exemplo dos “tentantes” (pessoas que já tentaram o su!©!d!ø uma ou mais vezes). Se a decisão deles fosse racional e c...

[DIA 40] - TEXTO ESCRITO EM 22/FEV/2022

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Perto demais para enxergar. ***** Até quando escrever este blog fará sentido? Eu acho que não existe um prazo determinado. Enquanto as palavras brotarem direto do coração, enquanto os sentimentos forem vívidos o suficiente para guiar os meus textos, ele vai existir. Pode ser que em algum momento o diário vire um semanário ou talvez não tenha mais uma periodicidade definida e eu passaria a escrever quando sentir que devo. Hoje me sinto impulsionado todos os dias. No futuro, não sei. ***** Várias pessoas me escreveram perguntando sobre os tratamentos alternativos que falei ontem. Acho que preciso explicar melhor algumas coisas.  — Sempre procurem profissionais. No caso de depre&&ão, psiquiatras e psicólogos. Eles são absolutamente fundamentais. O que eu critiquei em mim mesmo foi a passividade, a demora em perceber que um remédio ou tratamento não estavam funcionando e que eu deveria ter provocado uma mudança, buscado novas alternativas. Em nenhum momento quis sugerir que eu ...

[DIA 39] - TEXTO ESCRITO EM 21/FEV/2022

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Vai que… ***** Ontem fui ao meu primeiro churrasco, na casa da Audrey e do Giba. Alessandra foi comigo, chegou até o portão. E desistiu. Cada um no seu tempo! ***** No texto do Dia Zero — 13 de janeiro — eu escrevi que me basearia nas melhores lembranças do Pietro para preservar a nossa memória. Foi o que consegui pensar quando estava sob o impacto emocional de poucas horas. Até agora, errei feio. Os momentos mais felizes têm sido muito mais difíceis de lembrar. Pensar nos últimos anos de depre&&ão provoca uma espécie de @nsi∑d@d∑ reconfortante. Ao mesmo tempo que me sinto culpado por não ter conseguido ajudar o Pietro, me ajuda a ter consciência de que fiz o meu melhor com o conhecimento que eu tinha — e que o su!©!d!ø foi o final de um processo extremamente doloroso para ele. Consigo olhar para trás e ver mais ou menos como uma pessoa em estado muito grave de alguma doença. Existe esperança, mas a mørt∑ é uma possibilidade que precisa ser considerada. Enquanto isso, lembrar d...

[DIA 38] - TEXTO ESCRITO EM 20/FEV/2022

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Carrinho de supermercado. ***** Ontem, num trecho de conversa com um casal de amigos falamos sobre este blog. Uma coisa me chamou a atenção: no blog eu pareço uma fortaleza, os leitores sentem que falo com o coração, mas parece que estou superando muito melhor do que conversando pessoalmente. Pois é… lendo os meus textos aqui, ninguém consegue ver que eu escrevo regado a lágrimas. Acho até que são elas que dão credibilidade e significado para as palavras. Acreditem, não é nem de longe, nem um tiquinhozinho fácil lembrar dos momentos de maior tristeza e transformá-los em frases que façam sentido para as pessoas, que possam, de alguma forma, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por tempos difíceis ou, talvez, a ter um olhar diferente para as pessoas amadas — e que estão vivas. ***** Uma das minhas inspirações para escrever é uma atitude minha mesmo. Desde sempre, quando vou ao supermercado, tenho o hábito de levar o carrinho vazio para junto dos demais. Nunca deixo entre as vagas...

[DIA 37] - TEXTO ESCRITO EM 19/FEV/2022

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Su!©!d!ø é pecado? ***** Escrever este blog tem me obrigado a conhecer tragédias colossais. Recebi mensagem de mãe que perdeu os filhos gêmeos, mãe que perdeu três filhos, mães desesperadas com filhos que falam em se matar. Não ter respostas gera uma @ngú&ti@ de proporções dinossáuricas. Às vezes acho que minha tragédia pessoal fica insignificante. Deveria agradecer o privilégio de ter estrutura mental e pessoal para enfrentar. E penso assim até cair a primeira lágrima. Aí tudo desaba. Choro várias vezes por dia, sempre sozinho. É a minha dor, a minha saudade, a minha revolta, a minha recusa em aceitar. Dor de luto não se compartilha, não se divide, não se minimiza, cada um tem a sua. Não existe menor ou maior, apenas existe. ***** A religião quase sempre ajuda muito a superar a mørt∑ de um filho. Acreditar que foi Deus em sua sabedoria divina que decidiu e escolheu é uma bênção. Mas há casos complexos. Já recebi três relatos de mães que foram abandonadas em seu sofrimento, obrigad...

[DIA 36] - TEXTO ESCRITO EM 18/FEV/2022

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Gangorras. ***** Meus dias passam passeando entre extremos. Hora estou focadíssimo, hora estou disperso, as pessoas falam e eu vejo bocas se mexendo, capto os sons, mas não consigo processar as palavras. Memória se tornou serviço de luxo na minha cabeça. Como é difícil aceitar que o Pietro se foi porque ele quis ir! Meu filho não me foi tirado por causa de alguma tragédia ambiental, brutal ou acidental em que você é impotente, nada pode fazer. Ele decidiu que queria mørr∑r. Ele escolheu a data, planejou, arquitetou sua mørt∑. Vocês têm noção do sentimento de incompetência dos pais? A gente fica recriando os últimos dias e vamos descobrindo os tantos sinais que ele mandou, as tantas coisas que, se tivéssemos feito, adiariam sua partida. Sim, adiar é o verbo certo e é o único que me consola. Creio que se não fosse desta vez seria de outra. Mas o que eu não daria para que fosse de outra… só tudo! ***** Ontem eu recebi uma ligação de trabalho me passando um problema que parecia insolúvel, ...

[DIA 35] - TEXTO ESCRITO EM 17/FEV/2022

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Solitários, uni-vos! ***** Sabendo o que eu sei hoje, o que faria de diferente? Eu diria mais “eu te amo”. Diria mais “você é a minha razão de viver”. Diria mais “faço qualquer coisa por você”. Perguntaria mais “o que eu posso fazer para você ser feliz?”.  Especialmente quando se lida com pessoas depressivas ou desconectadas do mundo real, não teremos respostas convincentes. Não ouviremos o que gostaríamos de ouvir. O fundamental é a pessoa amada saber que estamos dispostos a tudo para que ela continue sua batalha. Que mesmo nos momentos de maior solidão ela não está sozinha. Que sofremos junto. Que a @ngú&ti@ dela é a nossa também. Que nossa existência está conectada. Vai resolver? Pouco provável. Se a pessoa quiser desistir da vida, não há como impedir. Mas eu garanto que você vai se sentir muito mais em paz com o sentimento de culpa que, com toda a certeza do mundo, vai lhe invadir, por mais que as pessoas digam que você fez o possível, Deus é soberano e sabe o que faz… bláb...

[DIA 34] - TEXTO ESCRITO EM 16/FEV/2022

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Vote em mim. ***** Alessandra ainda está muito derrubada. Passinhos de tartaruga rumo a uma nova proposta de existência que desconhecemos. Eu não posso ajudar muito porque também não tenho certeza de como será o resto da minha vida. Às vezes acho que devo retomar a antiga rotina e outras penso em mudar tudo, recomeçar do zero. Já fiz isso duas vezes. A primeira foi por mim mesmo, quando abandonei a faculdade de medicina depois de cinco anos. Apenas decidi: não é isso que quero, vou atrás do meu sonho. A segunda foi pela minha família, quando percebi que o mercado publicitário reservava anos de declínio constante para mim, tipo um jogador de futebol que atinge uma certa idade e começa a jogar em times cada vez menores até encerrar a carreira no ostracismo. Entendi que não tinha o direito de carregar minha família comigo nesta viagem decadente e me reinventei. Agora é mais difícil, a idade está mandando a conta, decisão muito complexa que não consigo tomar neste momento. A pulguinha está...

[DIA 33] - TEXTO ESCRITO EM 15/FEV/2022

Várias pessoas me perguntando o que eu faço para escrever todos os dias. Nada especial. Durante o dia vou anotando no bloco de notas do celular os sentimentos e pensamentos que me ocorrem. Na manhã seguinte leio o que escrevi, escolho um tema e desenvolvo. Escrevo no iPhone mesmo, com os dois dedões. Deixo descansar um pouco, releio, faço uma revisão final e publico no Facebook. É mais fácil escrever quando você não tem que se preocupar com julgamentos, seu único compromisso é com o que está acontecendo com você mesmo. No final, acho que estou economizando uma bela grana de terapia. Afinal, não é isso que eles pedem? Olhar para dentro e falar? Eu olho e escrevo. Ontem, aliás, eu aproveitei para reler meus posts de uma só vez. Que zona que anda minha cabeça! Kkkkkkkk. Mas acho que é este mesmo o propósito. Os dias têm passado no ritmo de um eletrocardiograma, cheios de altos e baixos, de vez em quando com uma arritmia aqui e outra acolá.

[DIA 32] - TEXTO ESCRITO EM 14/FEV/2022

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Vida 2.0 ***** Comecei a ler os mais de mil e-mails na minha caixa postal. Espero que não tenha nenhuma conta vencida. Hoje saio para trabalhar de um jeito ou de outro, ficar em casa não é uma alternativa. ***** Guimarães Rosa disse em Grande Sertão, Veredas: “Nonada. Viver é muito perigoso”. No livro vemos que a vida é uma ilha cercada de mørt∑s por todos os lados. Precisamos nos reinventar cada vez que alguém importante para nós sai da ilha. A reinvenção é mais simples quando é prevista, quando segue o ritmo da Natureza. Este normal implica necessariamente na existência de uma fase: a do envelhecimento. Ser idoso com a consciência tranquila é a maior conquista que alguém pode desejar. Olhar para trás e sentir a paz de uma história do bem é um privilégio que precisa ser desfrutado ao máximo. Eu estou chamando este período de “Vida 2.0”. Para uns ele vem mais tarde, para outros vem mais cedo. A mørt∑ do meu filho está acelerando a minha entrada nesta fase. Olhar para frente com o senti...

[DIA 31] - TEXTO ESCRITO EM 13/FEV/2022

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A inteligência inútil.  ***** Hoje faz um mês que meu Pietro nos deixou. Sentimentos muitos confusos. Vazio grande. Não há muito o que falar. Optamos por não ter nenhuma espécie de celebração. Todos os dias têm sido especiais. Eu tinha uns 16 anos quando fiz o teste vocacional. Impossível esquecer a expressão de êxtase da minha mãe quando o psicólogo disse meu QI. Parecia que estava tudo resolvido. Só que não. Resultado prático final? Nenhum. Nunca fiz nada especial. Eu sou um ermitão por vocação que, por mero acaso, consigo viver em sociedade. E, também por mero acaso, não tenho nenhuma tendência para o su!©!d!ø. Faço tratamento para depre&&ão há 15 anos e só não faço desde a infância porque naquela época não se diagnosticava como hoje. Eu me considero um sobrevivente. O que realmente importa é a interação entre pessoa e mundo. Esta é a chave para o sucesso e para a felicidade. A inteligência pode ser de qualquer tamanho, pois a medida correta, aquela que vale mesmo, é o q...