[DIA 31] - TEXTO ESCRITO EM 13/FEV/2022


A inteligência inútil. 

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Hoje faz um mês que meu Pietro nos deixou. Sentimentos muitos confusos. Vazio grande. Não há muito o que falar. Optamos por não ter nenhuma espécie de celebração. Todos os dias têm sido especiais.

Eu tinha uns 16 anos quando fiz o teste vocacional. Impossível esquecer a expressão de êxtase da minha mãe quando o psicólogo disse meu QI. Parecia que estava tudo resolvido. Só que não. Resultado prático final? Nenhum. Nunca fiz nada especial. Eu sou um ermitão por vocação que, por mero acaso, consigo viver em sociedade. E, também por mero acaso, não tenho nenhuma tendência para o su!©!d!ø. Faço tratamento para depre&&ão há 15 anos e só não faço desde a infância porque naquela época não se diagnosticava como hoje. Eu me considero um sobrevivente.

O que realmente importa é a interação entre pessoa e mundo. Esta é a chave para o sucesso e para a felicidade. A inteligência pode ser de qualquer tamanho, pois a medida correta, aquela que vale mesmo, é o quanto a inteligência está sendo aplicada, qual seu uso, que benefício ela traz. O Pietro era muitíssimo inteligente, mas as suas dores emocionais o impediam de fazer uso prático de sua capacidade. Feridas deste tipo são etéreas, incapacitantes e incompreensíveis por qualquer mente, por mais privilegiada que seja.

Na verdade, quando o assunto é depre&&ão e su!©!d!ø, o meu QI, o seu QI, os QIs de todos os cientistas do mundo somados são insignificantes. Se não existe aplicabilidade, somos incompetentes. Nossa inteligência é inútil.

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