[DIA 45] - TEXTO ESCRITO EM 27/FEV/2022
Oh céus! Oh vida! Oh azar!
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As Bolhas de Função parecem ter entrado definitivamente nos meus dias, são cada vez mais frequentes e duradouras. Estão resistindo inclusive ao meu imã pessoal para atração de pepinos e outros vegetais descascáveis. Foi chegar na escola ontem e quinze minutos depois a aluna desmaia na cozinha, pouco antes da aula. E toca tentar falar com alguém, não conseguir, pegar o carro, levar a moça pra casa, voltar, demitir uma pessoa (a tarefa que eu mais odeio), conversar com a equipe para alinhar a saída desta pessoa, sair para comer alguma coisa, voltar, esperar a aula acabar e conversar com o Chef sobre uma ex-aluna dele que está nos causando problemas. Só abacaxi…
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Dizem que a maneira mais simples de identificar uma pessoa chata é perguntar: como vai você? Se ela começar a responder como está de verdade… BLÉM! BLÉM! BLÉM! Toca a sirene de alerta: alto índice de chatice detectado!
Brincadeiras à parte, existem inúmeras modalidades de chatos. Os inteligentes, que sempre querem mostrar que sabem mais que você sobre qualquer assunto. Os intermináveis, que não conseguem perceber que todo mundo quer mudar de assunto. Os inconvenientes, que fazem perguntas ou falam coisas inadequadas. Os prolixos, que fazem duas frases se transformarem em duas horas. Os repetitivos, que falam a mesma coisa várias vezes, como se ninguém tivesse ouvido. E por aí vai, a lista é longa. Mas uma coisa praticamente todos têm em comum: não se dão conta da sua chatice e não sabem o porquê de serem chatos.
Quando alguém está em depre&&ão, corre sério risco de ficar chato, o que é péssimo, pois afasta ainda mais aqueles que o cercam. Ninguém aguenta uma pessoa que só fale de problemas, coisas ruins e negativas.
Não foi à toa que comecei o texto de hoje contando as agruras do meu dia. Já pensou se eu fosse sempre assim? Que saco! Nem eu iria me aguentar! Resolver problemas é a minha principal função, ou faço ou mudo de profissão.
Fica a dica para os depressivos. Não finja que está bem quando não está, fingir é sacrificante. Mas tente não falar demais de si próprio, não deixe que seu sofrimento tome conta da conversa. Se não conseguir dizer algo positivo, seja evasivo. Se alguém perguntar o que acha da guerra na Ucrânia?
— Resposta certa: não sei, não estou com cabeça pra acompanhar isso.
— Resposta errada: guerra mesmo é o que eu enfrento pra levantar da cama e ter vontade de viver…
Percebe a diferença? As duas respostas são honestas, mas a segunda destrói a conversa.
Amigos e familiares também podem ajudar separando os momentos. Tem hora para ser compreensivo, falar sobre a depre&&ão. E tem hora para deixá-la de lado, bloquear este negativismo, tentar trazer o depressivo para a conversa do grupo.
— Tá, entendo sua guerra pra se levantar, mas você levantou e a gente está falando da Ucrânia agora…
Importante deixar claro que nem todo depressivo vai conseguir. Eu entrei em três grupos de depressivos do Facebook pra saber como eram, um deles com mais de 16 mil integrantes! Mesmo a minha pior crise não chegou nem aos pés daquela turma. Fiquei estarrecido. Parece que eles fazem de tudo pra cavar o poço ainda mais fundo. Imediatamente pensei no meu filho e comecei a chorar. Acho que ele era como aquelas pessoas… quanto sofrimento! É assustador.
Teve um lado bom de ter entrado nesses grupos. Eu achava que minha depre&&ão já tinha me levado ao fim do mundo, porém, comparativamente, tenho uma depre&&ãozinha cronicazinha vagabundinha de nadinha! Ufa!
Mas a Síndrome de Hardy é real. Se você conseguir, não seja Hardy. Ah, desculpe! Não é da época ou não se lembra do desenho? Aqui no Brasil se chamava “Lippy & Hardy”, busque no YouTube. O derrotismo absoluto do Hardy é engraçado porque é uma hiena, mas em humanos é muito triste.

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