[DIA 44] - TEXTO ESCRITO EM 26/FEV/2022


The book is on the table.

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Se eu perguntar para um milhão de pessoas: “você gostaria de FALAR inglês?” receberei a resposta SIM 999 mil vezes. 

Se eu perguntar para um milhão de pessoas: “você gostaria de ESTUDAR inglês?” receberei a resposta NÃO 999 mil vezes.

Lógico. A primeira pergunta só questiona o desejo, enquanto a segunda questiona o prazer, a necessidade, os benefícios, a dedicação. Não é à toa que existem tantos milagreiros no Facebook prometendo ensinar inglês em 90 dias. Quanto menor o esforço, mais atraente é a proposta. 

Das mil pessoas que responderem SIM à segunda pergunta, pelo menos metade não vai estudar e a principal desculpa será a falta de tempo, mas eu vou falar a verdade verdadeira: bull shit. O motivo real é que é muito difícil fazer algo — qualquer coisa — que você não goste, precisa ter uma necessidade ou um benefício muito grandes.

Eu trouxe este assunto especialmente para falar sobre depre&&ão. Já disse aqui em outro post que o oposto de depre&&ão não é tristeza, é força de vontade. Uma pessoa pode ser divertida, engraçada, cheia de amigos e mesmo assim estar deprimida ou com pensamentos suicidas. Como saber? Eu observaria com atenção a força de vontade delas para fazer o que precisa ser feito. Observaria o grau de procrastinação. Observaria como elas preenchem seus dias, se fazem algo útil para seu futuro, se assumem responsabilidades. 

Oras, se você está deprimido, então tem problemas justamente com a força de vontade, portanto precisa pensar muito bem no que vai escolher para quebrar o ciclo da depre&&ão. Não pode se deixar cair na armadilha das desculpas, que tomam conta da nossa mente, que nos sabotam para nos fazer acreditar nelas, tentam nos desviar do motivo real: muito mais a falta de prazer do que a falta de necessidade ou de benefícios. Ou seja, se você realmente quiser desmontar as artimanhas da depre&&ão, precisa fazer alguma coisa — e deve começar com algo que lhe dê prazer, que você goste de fazer. 

Este blog, por exemplo, provavelmente foi a melhor coisa que já fiz por mim mesmo em toda a minha vida. Por ser um depressivo crônico, para onde o su!©!d!ø do meu filho teria me levado? Para que profundezas eu teria sido arrastado? Em vez disso, meu instinto me levou a retomar um hábito que eu tinha perdido há muitos anos: escrever. Minha cabeça me deu uma ordem: o que você mais gosta de fazer é escrever, então faça isto. Aí eu comecei. E aí foi criada uma responsabilidade, uma espécie de compromisso comigo mesmo — e de fazer o que mais gosto! Beeeeem mais fácil do que fazer algo que você não quer, né? Este blog me salvou de uma crise impensável de depre&&ão. Ele não me rende nenhum centavo em dinheiro, mas está rendendo a minha saúde mental. 

Você ou seu filho ou alguém próximo estão depressivos? Eu acredito que o início da escapada esteja no prazer, no que se gosta e se quer fazer — não no que se é obrigado. Quanto menor a força de vontade necessária, maior a chance de sucesso. Obrigações impostas como responsabilidade ou criadas artificialmente sem que realmente se queira, tipo estudar inglês? Esquece. Nem os não-depressivos conseguem.

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