[DIA 41] - TEXTO ESCRITO EM 23/FEV/2022


Ivrhvdogdui, h ksjdvguidbh jdjsjhge.

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Ontem, quando cheguei em casa, Alessandra estava participando de uma reunião on-line de um grupo de apoio. Eram mais de 70 pessoas. Fiquei ouvindo de longe os depoimentos. Às vezes parece uma competição para saber quem tem a história mais trágica. Mas há momentos em que as pessoas falam sobre a sobrevivência delas, isso ajuda muito a perceber que você não está louco e que suas reações são “normais”, comuns a quase todos que sofreram o mesmo trauma.

Su!©!d!ø é uma decisão irracional. Toda vez que tentamos explicar racionalmente, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. Toda vez que tentamos demover uma pessoa dessa ideia, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. A mente do suicida não funciona como a nossa. Difícil entender? Sim! Tanto é que a ciência e a medicina ainda não conseguiram decifrar.

Vamos pegar o exemplo dos “tentantes” (pessoas que já tentaram o su!©!d!ø uma ou mais vezes). Se a decisão deles fosse racional e compreensível, seríamos capazes de evitar novas tentativas, certo? Bastaria saber o porquê, resolver e pronto. Mesma coisa com os depressivos crônicos. Se existisse uma relação de causa e consequência seria fácil, né? Descobre-se a causa, resolve-se e elimina-se a consequência. Porém não funciona. Porque isso é a nossa mente pensando racionalmente.

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Durante a pandemia, famílias inteiras perderam tudo, foram assoladas pela fome, obrigadas a sair de casa e ir morar na rua. Quer @nsi∑d@d∑ maior que essa? O su!©!d!ø não seria mais lógico, mais fácil de explicar? O que explica continuarem vivendo e lutando?

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Se a feiura justificasse su!©!d!ø, o mundo só teria gente bonita. Recebo mensagens de leitores com fotos de seus filhos lindos que se suicidaram. A sociedade nos impele, nos instiga, nos conduz a pensar que gente bonita tem menos problemas. Não é fato, é fake! A mente suicida não escolhe aparência!

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Em poucas linhas eu quis demonstrar que a lacuna, o vazio, a dúvida, todas as interrogações se devem à nossa incapacidade de compreender as mentes depressivas e suicidas. Nós queremos decifrá-las usando os nossos códigos mentais, a nossa lógica de não-suicidas. Não vamos conseguir.

Minha opinião é que estamos num estágio de conhecimento parecido com você querer conversar com uma pessoa que fala um outro idioma. Pode usar sinais, mímicas, expressões faciais, o que quiser: só vai conseguir se comunicar parcialmente. Nossos métodos de comunicação são insuficientes para entender a lógica (ou seria a não-lógica?) de depressivos e suicidas. Para piorar, cada um fala sua própria língua. É a Torre de Babel.

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