[DIA 39] - TEXTO ESCRITO EM 21/FEV/2022


Vai que…

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Ontem fui ao meu primeiro churrasco, na casa da Audrey e do Giba. Alessandra foi comigo, chegou até o portão. E desistiu. Cada um no seu tempo!

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No texto do Dia Zero — 13 de janeiro — eu escrevi que me basearia nas melhores lembranças do Pietro para preservar a nossa memória. Foi o que consegui pensar quando estava sob o impacto emocional de poucas horas. Até agora, errei feio. Os momentos mais felizes têm sido muito mais difíceis de lembrar.

Pensar nos últimos anos de depre&&ão provoca uma espécie de @nsi∑d@d∑ reconfortante. Ao mesmo tempo que me sinto culpado por não ter conseguido ajudar o Pietro, me ajuda a ter consciência de que fiz o meu melhor com o conhecimento que eu tinha — e que o su!©!d!ø foi o final de um processo extremamente doloroso para ele. Consigo olhar para trás e ver mais ou menos como uma pessoa em estado muito grave de alguma doença. Existe esperança, mas a mørt∑ é uma possibilidade que precisa ser considerada.

Enquanto isso, lembrar da infância do Pietro é uma tortura que nem ouso arriscar. Ficar revisitando aquele menino feliz, tão doce, cheio de vida, que adorava brincar, que sonhava, que ficava esperando ansioso pelas histórias que eu contava antes de dormir… como aquele menino entrou em parafuso? Que vontade absurda de voltar no tempo e fazer tudo diferente! Não sei se daria certo, mas como eu gostaria de tentar! Dói demais!

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Se você tem um filho com depre&&ão, saiba que uma das coisas que eu acho que errei foi aceitar passivamente alguns veredictos de médicos e psicólogos. O Pietro tomava antidepressivos, tentou vários ao longo dos anos, e todas as vezes que mudava de remédio nascia a esperança de que “desta vez daria certo”. Não sei exatamente qual foi o papel dos psicólogos, pois eu não estava junto para acompanhar, apenas fazia sessões para ouvir relatórios e avaliações. Depois dos 18 anos, nem isso, o Pietro não deixava mais e tinha este direito. Só sei que o psicólogo ficou tão surpreso quanto nós.

Se existisse uma máquina do tempo, ao perceber que a medicina tradicional não estava funcionando, eu buscaria novas opções. Teria menos medo de mudar, de arriscar, de tentar o inusitado. Existe até cirurgia experimental… acho difícil que tivesse coragem de autorizar uma intervenção cirúrgica no cérebro do meu filho, mas é porque não sabia da gravidade. Se eu soubesse… certamente não seria tão passivo! Tentar não tira pedaço, mas não tentar pode ter tirado a vida do meu filho.

Detalhe: eu já comecei a procurar tratamentos alternativos para a minha própria depre&&ão. Não sei… vai que…

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