[DIA 34] - TEXTO ESCRITO EM 16/FEV/2022
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Alessandra ainda está muito derrubada. Passinhos de tartaruga rumo a uma nova proposta de existência que desconhecemos. Eu não posso ajudar muito porque também não tenho certeza de como será o resto da minha vida. Às vezes acho que devo retomar a antiga rotina e outras penso em mudar tudo, recomeçar do zero. Já fiz isso duas vezes. A primeira foi por mim mesmo, quando abandonei a faculdade de medicina depois de cinco anos. Apenas decidi: não é isso que quero, vou atrás do meu sonho. A segunda foi pela minha família, quando percebi que o mercado publicitário reservava anos de declínio constante para mim, tipo um jogador de futebol que atinge uma certa idade e começa a jogar em times cada vez menores até encerrar a carreira no ostracismo. Entendi que não tinha o direito de carregar minha família comigo nesta viagem decadente e me reinventei. Agora é mais difícil, a idade está mandando a conta, decisão muito complexa que não consigo tomar neste momento. A pulguinha está lá fazendo coceira na minha orelha, mas por enquanto vou tocar o dia, hoje ele será dedicado a planilhas de Excel.
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Sou o candidato ideal, independentemente da sua ideologia. Não tenho mais apego às coisas materiais, dinheiro deixou de ter importância, então sou incorruptível. Sei, mais do que ninguém, o valor de uma vida, não desistirei de nenhuma. Conheço de perto o sofrimento, vou lutar para que ele seja aliviado em qualquer esfera. Acredito que uma vida feliz seja a maior dádiva que alguém possa receber, no meu governo farei o possível e o impossível para que a felicidade seja um direito da população. Só tem um problema… não sou candidato a nada. Aliás, pessoas como eu nunca se candidatam. E os políticos que dizem ser assim estão mentindo.

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