[DIA 38] - TEXTO ESCRITO EM 20/FEV/2022
Carrinho de supermercado.
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Ontem, num trecho de conversa com um casal de amigos falamos sobre este blog. Uma coisa me chamou a atenção: no blog eu pareço uma fortaleza, os leitores sentem que falo com o coração, mas parece que estou superando muito melhor do que conversando pessoalmente.
Pois é… lendo os meus textos aqui, ninguém consegue ver que eu escrevo regado a lágrimas. Acho até que são elas que dão credibilidade e significado para as palavras. Acreditem, não é nem de longe, nem um tiquinhozinho fácil lembrar dos momentos de maior tristeza e transformá-los em frases que façam sentido para as pessoas, que possam, de alguma forma, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por tempos difíceis ou, talvez, a ter um olhar diferente para as pessoas amadas — e que estão vivas.
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Uma das minhas inspirações para escrever é uma atitude minha mesmo. Desde sempre, quando vou ao supermercado, tenho o hábito de levar o carrinho vazio para junto dos demais. Nunca deixo entre as vagas dos carros, fechando passagens ou largado de qualquer jeito.
O primeiro motivo é o princípio de que gentileza gera gentileza. Parece esdrúxulo, afinal… quem vai saber que eu fiz isso? Não importa, ser gentil está dentro da gente. Não escolhemos quando devemos fazer algo sem esperar nada em troca, ou somos assim e fazemos, ou não somos. Quantas e quantas vezes eu não passei levando o carrinho vazio e notei que as pessoas estavam me olhando esquisito! Estavam elas pensando “nossa, que cara ridículo”? Ou “puxa, por que eu não sigo este exemplo”? Jamais saberei. Mas tenho certeza que muitas das gentilezas que tenho recebido aqui mesmo neste blog, inclusive de leitores que nem conheço, são resultado desta filosofia: ser gentil por mim, porque faz me sentir melhor e mais nada.
O segundo motivo é um hábito enraizado na cultura brasileira e que de certa forma explica até mesmo a nossa permissividade com a corrupção política: querer levar vantagem em tudo. Talvez o trânsito seja o ambiente onde isso fica mais nítido, pois há total mistura de classes sociais, idades e tudo o mais. É onde vemos que os brasileiros não se importam, por exemplo, de cortar a fila pelo acostamento mesmo sabendo que estão prejudicando um monte de gente: se eu puder levar vantagem, os outros que se danem. Exatamente como pensam nossos líderes que tanto criticamos. Então… o carrinho de supermercado é para mim um exercício de humildade. Cada passo que eu dou empurrando aquele objeto vazio eu me sinto mais humano, mais igual, mais… sei lá… mais eu.
Nunca imaginei que um dia eu fosse escrever um texto baseado em um carrinho de supermercado. Rssssss. Até veio um sorriso aqui. Bom domingo a todos!

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