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[DIA 43] - TEXTO ESCRITO EM 25/FEV/2022

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Muito emocionado com esta mensagem (foto da tela do meu celular). Sem palavras. Só a sensação de recompensa. Obrigado por já ter valido a pena.

[DIA 42] - TEXTO ESCRITO EM 24/FEV/2022

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Bolhas. ***** O meu processo de retomada da vida está baseado na fragmentação do dia. Eu vou criando atividades que dificultem a interferência mental do Pietro. Resolvi chamar de BOLHAS dos 4F: FUGA, FOCO, FUNÇÃO e FELICIDADE. No início eram apenas BOLHAS DE FUGA: maratonar séries, assistir ao futebol, passear pelos portais de notícias e pelas redes sociais, todas coisas totalmente passivas. Escrever este blog era um esforço galático, só conseguia porque era — e ainda é — o meu jeito de fazer terapia. Quando não tinha saída, precisava dormir, mesmo que à base de remédios.  Depois vieram também as BOLHAS DE FOCO, que exigem um pouco mais de concentração: jogar sudoko, ler, revisar os meus livros escritos e nunca publicados. No caso da Alessandra eu diria que as primeiras bolhas desta fase foram cozinhar e voltar para a yoga.  Alessandra está ensaiando e eu já consegui entrar mais de cabeça na etapa das BOLHAS DE FUNÇÃO. Trabalho é a principal, mas você pode incluir tudo o que s...

[DIA 41] - TEXTO ESCRITO EM 23/FEV/2022

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Ivrhvdogdui, h ksjdvguidbh jdjsjhge. ***** Ontem, quando cheguei em casa, Alessandra estava participando de uma reunião on-line de um grupo de apoio. Eram mais de 70 pessoas. Fiquei ouvindo de longe os depoimentos. Às vezes parece uma competição para saber quem tem a história mais trágica. Mas há momentos em que as pessoas falam sobre a sobrevivência delas, isso ajuda muito a perceber que você não está louco e que suas reações são “normais”, comuns a quase todos que sofreram o mesmo trauma. Su!©!d!ø é uma decisão irracional. Toda vez que tentamos explicar racionalmente, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. Toda vez que tentamos demover uma pessoa dessa ideia, baseados no que pensamos ou sentimos, vamos errar. A mente do suicida não funciona como a nossa. Difícil entender? Sim! Tanto é que a ciência e a medicina ainda não conseguiram decifrar. Vamos pegar o exemplo dos “tentantes” (pessoas que já tentaram o su!©!d!ø uma ou mais vezes). Se a decisão deles fosse racional e c...

[DIA 40] - TEXTO ESCRITO EM 22/FEV/2022

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Perto demais para enxergar. ***** Até quando escrever este blog fará sentido? Eu acho que não existe um prazo determinado. Enquanto as palavras brotarem direto do coração, enquanto os sentimentos forem vívidos o suficiente para guiar os meus textos, ele vai existir. Pode ser que em algum momento o diário vire um semanário ou talvez não tenha mais uma periodicidade definida e eu passaria a escrever quando sentir que devo. Hoje me sinto impulsionado todos os dias. No futuro, não sei. ***** Várias pessoas me escreveram perguntando sobre os tratamentos alternativos que falei ontem. Acho que preciso explicar melhor algumas coisas.  — Sempre procurem profissionais. No caso de depre&&ão, psiquiatras e psicólogos. Eles são absolutamente fundamentais. O que eu critiquei em mim mesmo foi a passividade, a demora em perceber que um remédio ou tratamento não estavam funcionando e que eu deveria ter provocado uma mudança, buscado novas alternativas. Em nenhum momento quis sugerir que eu ...

[DIA 39] - TEXTO ESCRITO EM 21/FEV/2022

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Vai que… ***** Ontem fui ao meu primeiro churrasco, na casa da Audrey e do Giba. Alessandra foi comigo, chegou até o portão. E desistiu. Cada um no seu tempo! ***** No texto do Dia Zero — 13 de janeiro — eu escrevi que me basearia nas melhores lembranças do Pietro para preservar a nossa memória. Foi o que consegui pensar quando estava sob o impacto emocional de poucas horas. Até agora, errei feio. Os momentos mais felizes têm sido muito mais difíceis de lembrar. Pensar nos últimos anos de depre&&ão provoca uma espécie de @nsi∑d@d∑ reconfortante. Ao mesmo tempo que me sinto culpado por não ter conseguido ajudar o Pietro, me ajuda a ter consciência de que fiz o meu melhor com o conhecimento que eu tinha — e que o su!©!d!ø foi o final de um processo extremamente doloroso para ele. Consigo olhar para trás e ver mais ou menos como uma pessoa em estado muito grave de alguma doença. Existe esperança, mas a mørt∑ é uma possibilidade que precisa ser considerada. Enquanto isso, lembrar d...

[DIA 38] - TEXTO ESCRITO EM 20/FEV/2022

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Carrinho de supermercado. ***** Ontem, num trecho de conversa com um casal de amigos falamos sobre este blog. Uma coisa me chamou a atenção: no blog eu pareço uma fortaleza, os leitores sentem que falo com o coração, mas parece que estou superando muito melhor do que conversando pessoalmente. Pois é… lendo os meus textos aqui, ninguém consegue ver que eu escrevo regado a lágrimas. Acho até que são elas que dão credibilidade e significado para as palavras. Acreditem, não é nem de longe, nem um tiquinhozinho fácil lembrar dos momentos de maior tristeza e transformá-los em frases que façam sentido para as pessoas, que possam, de alguma forma, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por tempos difíceis ou, talvez, a ter um olhar diferente para as pessoas amadas — e que estão vivas. ***** Uma das minhas inspirações para escrever é uma atitude minha mesmo. Desde sempre, quando vou ao supermercado, tenho o hábito de levar o carrinho vazio para junto dos demais. Nunca deixo entre as vagas...

[DIA 37] - TEXTO ESCRITO EM 19/FEV/2022

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Su!©!d!ø é pecado? ***** Escrever este blog tem me obrigado a conhecer tragédias colossais. Recebi mensagem de mãe que perdeu os filhos gêmeos, mãe que perdeu três filhos, mães desesperadas com filhos que falam em se matar. Não ter respostas gera uma @ngú&ti@ de proporções dinossáuricas. Às vezes acho que minha tragédia pessoal fica insignificante. Deveria agradecer o privilégio de ter estrutura mental e pessoal para enfrentar. E penso assim até cair a primeira lágrima. Aí tudo desaba. Choro várias vezes por dia, sempre sozinho. É a minha dor, a minha saudade, a minha revolta, a minha recusa em aceitar. Dor de luto não se compartilha, não se divide, não se minimiza, cada um tem a sua. Não existe menor ou maior, apenas existe. ***** A religião quase sempre ajuda muito a superar a mørt∑ de um filho. Acreditar que foi Deus em sua sabedoria divina que decidiu e escolheu é uma bênção. Mas há casos complexos. Já recebi três relatos de mães que foram abandonadas em seu sofrimento, obrigad...