[DIA 24] - TEXTO ESCRITO EM 6/FEV/2022

Terminei a noite de ontem exagerando na bebida. Fiquei agressivo, fui dominado por um sentimento de raiva por estar de luto, por não conseguir fazer as coisas que preciso fazer, por não enxergar meu futuro, por estar com vontade de desistir de tudo. Acordei sem ressaca e logo a campainha tocou. Era a entrega do livro A Lua e o Girassol, enviado pela Carla Scheidt Lund, administradora de um grupo fechado do Facebook para mães e pais enlutados. Que benção! Devorei todas as páginas. De uma certa forma é um alívio identificar os mesmos conflitos, ver que as minhas mesmas dores foram sentidas por tantas pessoas. E que, cada uma ao seu tempo e à sua maneira, elas superaram. Sempre com uma certeza comum: superar não é esquecer. Filho não se esquece jamais. Filho não morre, ele apenas muda de dimensão, vira um ermitão vivendo escondido na nossa memória, mas que toda hora aparece para nos visitar. O tempo apenas nos ensina a organizar as visitas e a fazer com que a eterna saudade se transforme mais em lembranças do que neste atual desejo absurdo de abraçar o meu Pietro querido e não largar nunca mais.

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