[DIA 22] - TEXTO ESCRITO EM 4/FEV/2022
Tendências.
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Consegui dormir até 11 horas. Nem lembro a última vez que consegui dormir tanto, deve fazer uns 10 anos. Sensação estranha a de acordar tarde e comemorar porque vou ficar menos tempo acordado.
É muito comum as pessoas usarem a palavra tendência como uma espécie de muleta ou estepe ou disfarce para a realidade. A lista é enorme: tendências gays, tendência para engordar, tendência para a violência, tendência para o su!©!d!ø… e bota tendência atrás de tendência.
Eu cheguei à conclusão que a palavra tendência embute uma certa esperança, dá ao fato uma aura de não ser conclusivo ou definitivo.
Alguns casos realmente são, digamos assim, inconclusivos. A tendência para engordar, apesar de ser real, tem tratamentos diversos, caso a pessoa queira — ou precise, por questões de saúde.
Há os casos em que o uso da palavra tendência é apenas um véu para esfumaçar o inevitável, enquanto ele não chega. Uma criança pequena com “tendências gays” não tem escolha, é uma questão de ser ou não ser. Eventuais erros de julgamento estão ligados muito mais à interpretação de quem analisa, ao uso de critérios e referências equivocadas.
E há os casos em que a ciência ainda não tem competência para concluir se a tendência é tratável ou não. Su!©!d!ø é um deles. Por que algumas pessoas tentam várias vezes e depois desistem? Por que outros tentam até conseguir? Por que alguns conseguem logo de primeira? Estaria isso relacionado ao quanto a pessoa está decidida? Se tivéssemos armas de fogo em casa o índice de sucesso seria maior? Afinal, basta apertar um gatilho e pronto, acabou. Sabe-se que em 10% dos su!©!d!øs a pessoa nunca apresentou nenhum sinal de depre&&ão. Estes casos são detectáveis? Carregamos um gene do su!©!d!ø?
No início eu tentei acreditar que a tendência ao su!©!d!ø do meu filho era irreversível, ia acontecer, inevitavelmente. Agora tendo a achar que exista tratamento, só que a medicina atual ainda não sabe como resolver esses casos, erra e acerta na escolha do tratamento empiricamente. E, consequentemente, nós, pais, também somos obrigados a tomar decisões empíricas. O resultado é uma obra do acaso, às vezes dá certo, às vezes não. É minha opinião final? Não, é apenas o que penso hoje. E só amanhã saberei o que vou pensar amanhã.

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