[DIA 21] - TEXTO ESCRITO EM 3/FEV/2022


Talentos escondidos. 

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As pessoas costumam associar “talento” às artes e esportes. Não pesquisei a definição oficial, mas eu entendo ser uma aptidão, uma pré-disposição que vale para qualquer coisa. Memória, por exemplo. Ou matemática, ou “tino comercial”, ou etc. e tal.

Também penso que talento possa ser medido, não é igual para todo mundo. Quando é excepcional temos um gênio.

Não basta ter talento, ele precisa ser desenvolvido. Qualquer um de nós pode ter um talento desconhecido que nunca apareceu porque nunca foi estimulado, o que explica o surgimento de muitos talentos tardios. E nos faz pensar na quantidade infinita de pessoas que jamais descobrem seus talentos. Quem teria sido Carlos Drummond de Andrade se a vida não tivesse dado a ele a oportunidade de aprender a ler e escrever? Quem seria o Neymar se tivesse nascido na Afeganistão? Na época da minha avó, se o talento não fosse cozinhar, bordar ou costurar, as mulheres não tinham muitas outras chances de descobrir…

A mesma pessoa pode ter mais de um talento, não necessariamente com a mesma intensidade. E eles não têm obrigação de servir para alguma coisa, pode ser algo totalmente inútil, como a habilidade de cuspir mais longe que todo mundo — o livro dos recordes está cheio exemplos absurdos.

E o tal de QI, que mede a inteligência? Em muitos casos não afeta o talento em absolutamente nada, vemos com frequência no esporte. Em outros casos são um diferencial a turbinar o talento, como no caso da matemática. Mas não existe relação direta entre talento e inteligência. 

Escrevo tudo isso porque acredito que momentos críticos possam ser catalisadores de talentos. A necessidade com uma pitada de sorte tem feito desempregados se descobrirem empreendedores talentosos. Às vezes é o acaso que faz o papel de descobridor de talentos. O pneu do carro do Washington Olivetto furou na frente de uma agência de propaganda. Ele entrou para pedir para usar o telefone, perguntou o que eles faziam lá… e se tornou um dos maiores publicitários de todos os tempos. No entanto, o mais comum é que as pessoas encontrem seus talentos prestando atenção nelas próprias. Quem diz que não tem nenhum talento é porque não procurou direito. Ou então está se sabotando por causa de filtros muito cruéis, como a baixa autoestima.

A pergunta que eu faço é: quantos pais já identificaram os talentos dos seus filhos? Quantos estão prestando atenção, oferecendo alternativas, procurando e estimulando sem preconceitos, sem usar seus próprios critérios, vontades e desejos neste processo? A descoberta de um talento, algo que a pessoa faça com prazer, pode ser muito muito útil no tratamento da depre&&ão.

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