[DIA 18] - TEXTO ESCRITO EM 31/JAN/2022
Matrix. Se não viu, veja. Se não lembra, reveja.
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Quando eu era criança só existia TV aberta. A única que sempre pegava direito era a Globo. Excelsior, Tupi e Bandeirantes só se você colocasse um bombril na antena e desse muita sorte. E você acredita que mesmo assim tinha gente viciada, que passava o dia inteiro em frente à TV? E só não ficava a noite inteira porque saía do ar, não lembro a hora, acho que lá pelas duas da madrugada. Hoje em dia parece inimaginável alguém ficar assistindo TV aberta direto, sendo obrigado a seguir a programação, sem poder escolher, sem interagir, sem nada. Mas ficavam. Tanto que na época muita gente chamava TV de “máquina de fazer doido”.
Se as pessoas já se viciavam nessa TV da idade da pedra, como podemos nos espantar com o vício pandêmico dos jogos de computador? Caraca! Pegaram aquela caixinha com uma tela na frente e melhoraram tanto que nem os roteiristas dos desenhos dos Jetsons conseguiram prever. Também tem aqueles que falam mal dos e-games mas maratonam oito horas de séries por dia e ficam doidinhos se cai a internet, tipo crise de abstinência mesmo. E os que assinam BBB 24 horas? E ainda assistem! Fala sério, se isto não é vício, não sei o que é.
O que os pais estão fazendo para tentar impedir que seus filhos caiam em algum vício eletrônico? Atirando pra tudo quanto é lado, lógico, porque ninguém sabe ainda exatamente o que fazer. Há os que proíbem o acesso a celular, tablet e computador até uma certa idade e depois vão liberando aos poucos. Há os que tentam impor controles rígidos de horários, chegam até a mudar a senha da internet diariamente. Há os que “presenteiam” liberando horas de jogo em troca, por exemplo, de notas escolares. E os que tiram horas de jogo como punição. E os que enchem seus filhos de atividades para não sobrar tempo. E por aí vai… todo mundo tentando e todo mundo errando…
A má notícia é que, para piorar tudo, o metaverso está chegando aí. Se você imaginar o futuro com base nele vai dar de cara com Matrix. Sim, o filme. Todo mundo vivendo, sentindo, se emocionando, sofrendo, sorrindo sem sair da cama, tudo no mundo virtual. Se gostar de filosofia, pesquise o paradoxo “cérebro numa cuba”. É desesperador. Desculpem pelo pessimismo de quem não estará aqui pra ver. Ou será que a evolução será tão rápida que estarei?

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