[DIA 11] - TEXTO ESCRITO EM 24/JAN/2022
Saudade dói mais que qualquer dor.
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Alessandra, as meninas e eu estamos tendo sintomas do que passei a chamar de “saudade futura”. É aquela em que dizemos coisas como “nunca mais” e é movida por um certo sentimento de culpa por percebermos que, mesmo a passos de tartaruga, estamos evoluindo na adaptação à vida pós-Pietro. Como posso estar melhor se faz tão pouco tempo? O ser humano é lindamente complexo!
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Quando eu resolvi transformar meu blog pessoal para falar sobre o su!©!d!ø do Pietro, sem querer fiz uma coisa que, procurando depois, não encontrei em lugar nenhum: falar, dia a dia, à medida em que o luto vai acontecendo, como estou enfrentando a situação. Todos os blogs, livros e relatos que encontrei foram escritos muitos meses ou até anos depois, com base na memória. Também decidi que não haveria meias palavras, o que faz de alguns depoimentos um tanto quanto chocantes. E optei ainda por não filtrar meus pensamentos, meu objetivo não é estar certo, é escrever o que estou pensando. Eu já faria isso para mim mesmo de um jeito ou de outro, apenas tornei público. Não importa se escrevo bem ou mal, se cometo erros de gramática. É irrelevante. O importante é que quando eu escrevo sou obrigado a ordenar as emoções, a linguagem escrita não aceita muito bem o caos. Nesse processo, especialmente na hora de fazer a releitura do que escrevi, fica evidente o grau de confusão da minha mente. Reorganizo raciocínios, repenso, extraio o que há de melhor. Portanto, a primeira resposta para as várias pessoas que me perguntaram: sim, o blog é público, você pode (talvez até deva) compartilhar com pessoas que você ache que ele pode ajudar. A segunda resposta: não, não estou escrevendo somente para ajudar, estou me ajudando também. Porque luto é que nem DNA, pode até ser parecido, mas cada um tem o seu.

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